terça-feira, 9 de março de 2010

A independência e o guarda chuva

Semana passada me deparei com uma cena muito curiosa. Uma menina, no alto dos seus 7 ou 8 anos, pedia insistentemente para que a mãe lhe comprasse um guarda chuva da Hello Kitty. Fora toda a questão consumista da estória, o que mais me chamou a atenção foi o discurso da menina. Ela queria o guarda chuva, porque ela já era grande! Sim, ela era grande e não precisava mais dividir o guarda chuva com a mãe.

Parei pra pensar e vi que realmente, o guarda chuva é um grande sinônimo de independência. Afinal de contas, com o guarda chuva, estamos protegidos da chuva e do sol (algumas pessoas usam para essa finalidade) e temos a liberdade de irmos e virmos para/de qualquer lugar. Olha que maravilha, o guarda chuva é uma fabulosa ferramenta da liberdade!

Devaneios infantis à parte, o conceito de liberdade e independência é latente, não importa a idade. Há o anseio do ser humano de querer não precisar de ninguém e ser autosuficiente para tudo, com o discurso do "eu quero, eu posso, eu faço" Gosto da ideia de ser "dona do meu nariz", mas curto a ideia de não poder fazer tudo também. 

O "ser onipotente" não permite coisas que são extremamente prazerosas como a troca e o aprendizado. A ideia de poder ensinar, aprender e até mesmo de perceber não ter aptidão alguma que faz com que os seres humanos possam compartilhar diferentes ideais e conhecimentos de forma harmoniosa. Do que adianta sabermos tudo e não precisarmos de ninguém? Moraremos em bolhas e nos tornaremos ainda mais individualistas.

Nem contei como acabou a estória do guarda chuva. A menina ganhou seu vistoso e cor de rosa guarda chuva da Hello Kitty e prontamente o abriu. Foi quando percebeu que o objeto atrapalhava para andar de mãos dadas com sua mãe. Sagazmente, ela resolveu negociar novamente e sugeriu que a mãe fechasse o guarda chuva preto e sem graça que carregava e que partilhasse do objeto rosa choque que a menina segurava avidamente. 

Saíram então, cobertas pelo guarda chuva da Hello Kitty, pelo centro do Rio naquela tarde chuvosa. A menina segurando com uma mão uma ponta do seu guarda chuva rosa que ela cedia de bom grado, já que era SEU e com a outra a mão da mamãe, já falando do chocolate que ela tinha visto na rua em frente.

Quem bom que mesmo que queiramos nossos guarda chuvas, ainda temos a percepção de que podemos dividi-los...

4 comentários:

  1. Também estou adquirindo meu guarda-chuva, mas não é rosa e sem a Hello Kitty estampada. hehehehehe Bjs, logo estarei aí divindo-o contigo!

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  2. Os laços do nosso guarda-chuva, com a distância, não se quebram; esticam-se.

    Um grande beijo

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  3. As pessoas tornando-se cada vez mais individualistas prontamente tornam-se mais egoístas do que costumam ser. Assim seríamos quase que Deuses e de que serviria o mundo se já saberíamos de tudo? Os degraus que subimos já não existiriam e tudo perderia o sentido de ser. Bom texto!!

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  4. Eu sou a favor dos guarda-chuvas, "cor de rosa" ou até em tom pastel, desde que muito bem compartilhados. Independência e liberdade não devem ser sinônimos de individualidade, no sentido mais só da palavra... E tenho dito!

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