domingo, 30 de maio de 2010

Olhares

Ironico talvez seja a melhor palavra para definir o quão diferente uma situação pode ser vista, dependendo do olhar.

Não jornalisticamente falando, mas uma mesma situação pode ser analisada de n formas diferentes. Basta saber o que se passa no coração de quem vê.
Ruim ou bom, depende da forma como vemos isso. E aí entro em redundância, pois falo novamente das várias faces de uma moeda.

Prefiro sempre o olhar do bem. O olhar que não vê maldade, o olhar do crescimento e aprendizado constantes.
Acho que meus olhos ainda estão semicerrados, mas prefiro eles assim. Quero crer que tudo visa o bem maior, independente de crenças ou concepções.

Talvez seja o olhar do sonhador...vai saber?!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Aquarelando 2

Ele
Algodão cru, cavalete, tinta, pinceis e lápis.
Sonhos, poesia, esperança, fé, determinação.
Mão hábeis, olhos castanhos, puros, cristalinos.

O mundo, mundo vasto mundo, diante das duas janelas:
a da casa e a da alma.
A tela, antes branca agora apresentava rabiscos.
E iam surgindo traços, linhas, curvas;
Ideias e ideais, ensejos e desejos.
E os prédios descortinavam a baía de Guanabara...
olha, ali é o Pão de Açúcar!
E ela?!

Ali tão alto, ela se sentia pequena frente ao mundo.
Mundo que ela estava descobrindo.
Mundo que ainda tem para conhecer.
Mundo que ela já tinha visto.
E tudo ali, diante dos olhos...
como se fosse uma pintura.
Como se fosse a pintura dele, que apresentava tudo a ela.
E aquarelavam barcos a vela, tanto céu e mar no beijo azul.

E começava a salpicar de estrelas prateadas
a tinta negra que se derramava no céu.
Era a noite que caía.
E como pequenos vagalumes ansiosos,
as luzes começaram a piscar aqui e ali.
Dali, ou de lá?!

E tal e qual na música, entre as nuvens
surgiu o avião, não se sabe se rosa e grená.
Mas vinha com suas luzes coloridas
Pra onde ia?!
Será que iria voltar?!
E prédios, casas e castelos apareciam apenas como retas.

E uma claridade encheu os olhos, o espírito,
o coração e a paisagem dos dois.
Era a lua, que vinha dar o ar da graça.
E mostrar que mesmo quando está escuro, há luz.
E correu-se o lápis em torno das mãos
E entrelaçaram-nas
Era o encaixe perfeito.
Pintura e poesia.

Momento de contemplação
Momento de pensar no futuro
O futuro?!
Está ali na frente esperando
Esperando os sonhos do menino
e a curiosidade da menina
Na estrada daquela aquarela.



terça-feira, 9 de março de 2010

A independência e o guarda chuva

Semana passada me deparei com uma cena muito curiosa. Uma menina, no alto dos seus 7 ou 8 anos, pedia insistentemente para que a mãe lhe comprasse um guarda chuva da Hello Kitty. Fora toda a questão consumista da estória, o que mais me chamou a atenção foi o discurso da menina. Ela queria o guarda chuva, porque ela já era grande! Sim, ela era grande e não precisava mais dividir o guarda chuva com a mãe.

Parei pra pensar e vi que realmente, o guarda chuva é um grande sinônimo de independência. Afinal de contas, com o guarda chuva, estamos protegidos da chuva e do sol (algumas pessoas usam para essa finalidade) e temos a liberdade de irmos e virmos para/de qualquer lugar. Olha que maravilha, o guarda chuva é uma fabulosa ferramenta da liberdade!

Devaneios infantis à parte, o conceito de liberdade e independência é latente, não importa a idade. Há o anseio do ser humano de querer não precisar de ninguém e ser autosuficiente para tudo, com o discurso do "eu quero, eu posso, eu faço" Gosto da ideia de ser "dona do meu nariz", mas curto a ideia de não poder fazer tudo também. 

O "ser onipotente" não permite coisas que são extremamente prazerosas como a troca e o aprendizado. A ideia de poder ensinar, aprender e até mesmo de perceber não ter aptidão alguma que faz com que os seres humanos possam compartilhar diferentes ideais e conhecimentos de forma harmoniosa. Do que adianta sabermos tudo e não precisarmos de ninguém? Moraremos em bolhas e nos tornaremos ainda mais individualistas.

Nem contei como acabou a estória do guarda chuva. A menina ganhou seu vistoso e cor de rosa guarda chuva da Hello Kitty e prontamente o abriu. Foi quando percebeu que o objeto atrapalhava para andar de mãos dadas com sua mãe. Sagazmente, ela resolveu negociar novamente e sugeriu que a mãe fechasse o guarda chuva preto e sem graça que carregava e que partilhasse do objeto rosa choque que a menina segurava avidamente. 

Saíram então, cobertas pelo guarda chuva da Hello Kitty, pelo centro do Rio naquela tarde chuvosa. A menina segurando com uma mão uma ponta do seu guarda chuva rosa que ela cedia de bom grado, já que era SEU e com a outra a mão da mamãe, já falando do chocolate que ela tinha visto na rua em frente.

Quem bom que mesmo que queiramos nossos guarda chuvas, ainda temos a percepção de que podemos dividi-los...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Reflexões de folia carnavalesca

"Mas é carnaval, não me diga mais quem é você..."

Interessante a mudança de comportamento das pessoas no carnaval. Seguindo alguma tese absurda de que são os 4 últimos dias do ano (só isso explica), acontece algo digno de registro. Com comportamentos estranhos, atitudes um tanto quanto nada ortodoxas e principalmente ações que não se realizaria normalmente você escuta o célebre bordão "aaah, mas é carnaval".

Ok é carnaval. E daí? Vamos enfiar o pé na jaca como se não houvesse amanhã e as pessoas saem loucamente beijando umas as outras, independente do sexo, travestindo-se de mulher, bicho ou qualquer coisa sem muita lógica, bebem muuuuuuuuuuuuuuuuuuito, transam com o primeir@ que aparece e por aí vai..afinal..é carnaval!

Isso não é um post puritano, até porque quem me conhece sabe que eu passo looooonge disso, mas queria entender o porque desse comportamento ser moralmente aceito nesses 4 dias e não ser aceito ao longo do ano. Qual a essência de ser, em tese, aquilo que não é?!

Porque reprimir esses desejos latentes, se é visível a necessidade deles? Quem impôs isso? A sociedade? Na minha opinião um organismo que prima pela hipocrisia usando para isso o manto do "tradicional". E aí as pessoas resolvem fazer nesses 4 dias o que têm vontade de fazer ao longo da vida e dá nisso...exageros gritantes.

Mas, como diria sabiamente Los Hermanos... todo carnaval tem seu fim... e com ele as máscaras são guardadas para o próximo ano e os ternos e tailleurs voltam a cena cotidiana.

"Amanhã, tudo volta ao normal deixe a festa acabar..."

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

E vamos de música que é o alimento da alma...


"Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!
Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.
Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!"
(Legião Urbana - Mais uma vez)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Palco de emoções

As luzes se apagaram e a cortina balançava suavemente. Nem parecia um armazém de porto, não fosse pela brisa marinha quente, trazendo o cheiro de maresia que vinha lá de fora. A proposta era bacana. Trechos de musicais em cartaz e sucessos de temporadas passadas, a grande maioria desconhecida, com destaque para o tão falado "Despertar da Primavera".

Luzes se acendem e vão se misturando, azuis, rosas, verdes, vermelhas, roxas. Entra o apresentador, fala um pouco da proposta, apresenta o primeiro musical da noite, Motown. Legal pra caramba, um revival dos anos 70, muitas músicas do Jackson Five e do próprio Michael, boa voz, figurino bacana. Hora da Opereta Carioca, sambinha gostoso, muita ginga e malandragem. Tava sendo um programa legal, todos os amigos jogados no puff, clima descontraído.

Eis que ele começa a falar de um musical conhecido. Um musical que fez grande sucesso por onde passou. Mas que não havia passado em Brasília, os teatros lá não tinham estrutura para tal. Meu coração começou a palpitar. Seria possível???? Não, jamais, tinha tempo que isso havia acontecido, não era... era, era sim! Eu estava vendo!

Ela entrava em cena, sorridente com seu vestido negro e avental branco. Parecia que eu podia ver a verdejante campina dos meus sonhos infantis. E como um sonho realmente ela soltou a voz e começou a cantar a versão brasileira de Sound of Music, a música tema da Noviça Rebelde. Palavras precisariam ser inventadas para descrever a minha emoção. Quem disse que eu conseguia cantar? A voz encontrava-se embargada tamanho o fascínio com o que eu via ali, logo na minha frente.

Não pude conter as lágrimas de alegria ao poder presenciar aquela cena. Aquele pedacinho que fosse de uma das minhas tenras lembranças da infância. Logo após, foi entoado um trecho da versão de My Favorite Things. Era felicidade demais para uma peça só!!!! Na mesma hora me veio a mente cenas do filme, brincadeiras como um dos filhos do capitão, as inúmeras vezes que cantarolei (e cantarolo) Do-Re-Mi e So Long, Farewell e por um instante a magia do teatro me permitiu sair do meu mundo e voltar ao meu mundo de criança, onde nada era mais importante que comer bolinhos de chuva e assistir A Noviça Rebelde e Mary Poppins, no tardar das 20h30, ingnorando completamente que o horário de dormir era 21h.

Que gostoso sair do gosto amargo que andava na minha boca com as atitudes do bicho homem e voltar a achar tudo tão doce e mágico como uma canção. Após a saída da Noviça o espetáculo voltou a realidade. Sassaricando com Eduardo Dusek, aquele de quem minha mãe era fã, os animadíssimos boêmios de Oui, Oui a França é Aqui e encerrando com direito a faniquitos adolescentes, o tão esperado Despertar da Primavera e a tal da música do "vai se fuder!"

Nada me tocou mais o coração quanto ver a Noviça Rebelde, ali, cantando para mim. Com certeza uma emoção que perdurará por muitos e muitos anos, quem sabe até para gerações futuras. E olha que foi só um pedacinho... mas como me fez feliz.

Aproveitando, um fato raro, gostaria de agradecer à produtora cultural Nicolle Ribeiro por me dar a oportunidade de ter esse momento. Ela não tem noção do quão especial foi para mim.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Revendo fatos

hipocrisia

palavra que martela, que fere, que é negada, que serve para quem tenta velar reais intenções.

covardia

ato de não assumir as ações realizadas, medo de encarar fatos e pessoas.

preconceito

julgamento discriminatório de algo ou alguém baseado em verdades absolutas.

privacidade

algo inerente ao ser humano, que todos querem ter, mas poucos respeitam a alheia.

respeito

palavra ha muito esquecida............

A pergunta deveria ter sido outra: será que são essas as pessoas com quem eu quero trabalhar e conviver?